Capitalismo II

A Falha da Implementação

No post anterior tentei defender a ideologia capitalista e fiquei devendo para vocês falar de uma falha entre a ideologia e o que realmente temos. Antes disso, quero dizer que por mais desumano que pareça quando eu falo que no capitalismo cada um vale aquilo que tem, essa consideração ainda é bem melhor do que dizer que o valor de cada um é definido pela família em que nasceu, ou que aquele que não produz nada de útil para a sociedade tem o mesmo valor que aquele que gera riquezas (não apenas materiais). Dito isso, vamos à minha dívida.

O problema que o capitalismo veio resolver é o de pessoas terem seu status definido pelo nascimento e não pelo merecimento. O problema que a nossa implementação de capitalismo deixa passar pode ser dito em uma palavra: herança. O que define que uma pessoa tem o direito de receber algo quando seus pais morrem? Qual foi o trabalho que ele prestou a sociedade para ter essa recompensa? Ele simplesmente nasceu na família certa, assim como acontecia no feudalismo. Dessa forma acredito que para concluirmos a implementação do capitalismo ainda está faltando abolir a herança.

“É, ainda acho que você é biruta, mas até que faz sentido. Só tem um problema: para onde iriam todos os bens acumulados pela pessoa?” Simples: de volta para sociedade, ou seja, para o governo. Claro que isso exigiria uma contraparte do governo: a extinção, ou pelo menos diminuição, da carga tributaria. Ou seja, enquanto o individuo está vivo ele não paga nada para manter a estrutura social funcionando, mas também não recebe nada que não seja por merecimento; quando ele morre tudo aquilo que era dele, que portanto agora não tem dono, volta para o estado de matéria prima para alimentar a sociedade. Toda a riqueza vem da sociedade e volta para a sociedade, mas cada individuo tem o direito de usar como bem entender a riqueza que ele mereceu pelo seu próprio trabalho.

Por fim quero dizer esse não é o fim. Ainda ficam questões como dinheiro adquirido de forma ilegal, mal uso de recursos públicos, oportunidades diferentes para crianças de famílias diferentes, entre outras. Mas acredito que esse passo seria importante para transformar o capitalismo em que vivemos no capitalismo que um dia foi idealizado.

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Sobre birutaibm

Estudo ocultismo desde os 14 anos de idade, fui iniciado DeMolay aos 17, estou me preparando para entrar para FRA (uma fraternidade rosacruz). Sou graduado em Informática Biomédica, mestre em Física Aplicada a Medicina e Biologia (mais computação que física mesmo), doutorando na mesma área. Meu perfil no Modelo de Myers-Briggs é INTJ (fiz dois testes diferentes e o resultado foi esse em ambos). Enfim ainda não sei muito sobre mim.
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3 respostas para Capitalismo II

  1. Emilio disse:

    Biruta, a herança é importante para que a obra bem feita tenha continuidade e o pior administrador do mundo é o governo, de qualquer natureza que ele seja. A possibilidade de legar seu patrimônio a alguém que nasceu depois dele ter sido construído, é um dos motores do desempenho excelente de um empreendedor. Além disso, na família do empreendedor nascerão pessoas que tem missões e Karmas afins com ele, quem pode afirmar que um herdeiro não é merecedor da herança sem conhecer suas vidas passadas e as dívidas kármicas que o empreendedor possa ter adquirido com seu herdeiro?
    No meu entender a falha do Capitalismo é a tendência a que um sucesso retumbante de algum empreendedor o leve a desejar ter o monopólio de sua atividade econômica, o que de certa forma o tornaria de novo um nobre medieval que tinha o monopólio da terra. Os grande monopólios dos capitalistas americanos do final do século 19 demonstram que ao atingir esse patamar de predomínio econômico, o monopolista tenta extinguir todas as possibilidades de concorrência que possam ameaçar o seu monopólio, e com isso a virtude maior do capitalismo que é a possibilidade de qualquer um conseguir seu lugar ao sol, dependendo de sua competência e esforço, fica anulada pelo cerco asfixiante do monopólio.
    O Socialismo é o extremo do monopólio, quando ninguém pode mais exercer uma atividade econômica livre, e onde o Estado é o ente monopolista de todas as propriedades, e o Governo se torna novamente uma nobreza que se auto reproduz pelo nepotismo e o compadrio.

    • birutaibm disse:

      Oi Emílio, interessante seu ponto de vista e eu não havia pensado na questão kármica e no monopólio dessa forma, obrigado pela contribuição. Mas pensando apenas na vida atual, ainda acho que o herdeiro não necessariamente teve o merecimento para receber a herança, e só por ser filho de um empreendedor não significa que ele mesmo também seja empreendedor, aquela velha frase “o pai fundou a empresa, o filho afundou”.
      Quanto ao governo ser o pior gestor acho que é um problema real e que deveria ser resolvido. Mas o problema não é exatamente o governo ser um mal gestor, os problemas são: Para gerir uma pequena empresa é exigido faculdade, MBA, especializações, experiência e uma cacetada de coisas, mas para gerir um país basta ter partido político. E, para contratar um operário do serviço mais simples possível é feita analise de currículo, prova, entrevista com pessoas preparadas para avaliar linguagem corporal e outras coisas sutis e por aí vai, mas para contratar um governante basta que o candidato seja popular, parece mais um concurso de mis do que para o emprego mais importante do país. Além disso, acho que os governantes normalmente não são bons em escolher seus principais empregados, os ministros, eles acabam escolhendo por favores políticos ao invés de competência para o cargo.
      Quanto ao socialismo ser uma espécie de monopólio, concordo em parte. Realmente a economia torna-se monopólio do governo, mas quem é o governo? O problema é que a luta por poder é sempre por todas as formas de poder ao mesmo tempo, mas poder econômico é uma coisa e político é outra. Com essa mistura das duas coisas, o que acontece é que toda experiência socialista que já vimos é uma experiência ditatorial, mas não vejo impedimento nenhum que o socialismo exista em uma democracia, e dessa forma o monopólio mudaria de mãos a cada X anos por decisão popular, o que diminui muito os problemas de um monopólio mas exige ainda mais capacidade dos governantes para governar e do sistema eleitoral para filtrar e escolher os melhores.

      • Emilio disse:

        Infelizmente meu amigo, nunca houve um ser humano sequer, que tendo atingido o poder total (politico + econômico) em um país, aceitasse colocar seu desempenho à prova periodicamente e abrisse mão do poder altruisticamente. O máximo de alternância de poder que temos conseguido em sistemas socialistas é o rodízio de anciãos que ocorria no Politburo da antiga URSS e ocorre hoje na forma de eleições indiretas (somente entre membros do PC ) na China e no Vietnan. Nas demais experiências socialistas, como a Koreia do Norte e Cuba, criou-se uma dinastia familiar, na antiga Iugoslavia, o pais se dissolveu depois da morte do Marechal Tito e nas demais experiências socialistas, ditadores da pior espécie como o Pol Pot do Camboja (matou 2 milhões de uma população total de 8 milhões entre 1975 e 1979) são a regra na maioria dos países que tiveram governos socialistas. O único sucesso real de “socialismo” foi o da China que voltou ao capitalismo na economia e assumiu na política a ditadura do PC de forma simples e clara.
        Ou seja, não existe chance de democracia onde existe monopólio dos meios de produção, todos os monopólios são ruins, mas o monopólio tentado por um empresário ou grupo deles, é infinitamente mais fraco e passível de controle ou desmonte por um governo democrático, do que quando é o próprio governo que exerce o monopólio político e econômico, aí você apela pra quem? Pro bispo diria o ditado popular….kkkkk
        “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus.”
        Essa é a frase original de Lorde Acton sobre o poder absoluto, que no meu entender só é alcançado no Socialismo, pois mesmo em ditaduras capitalistas como na Alemanha Nazista, o poder precisa ser compartilhado entre políticos e empresários.

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